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Pfizer e Allergan negociam fusão

Pfizer e Allergan negociam fusão que criaria farmacêutica de US$ 300 bilhões


As farmacêuticas Pfizer Inc. e Allergan PLC estão considerando unir seus negócios, no que seria um acordo colossal culminando um período de atividade frenética de fusões e aquisições no setor de saúde e outras indústrias.

As duas empresas, em declarações separadas com texto semelhante, informaram que estão mantendo “discussões preliminares de forma amigável” sobre uma potencial fusão. As companhias afirmaram que ainda não chegaram a um acordo e observaram que não há nenhuma certeza de que um negócio será consumado.

O The Wall Street Journal havia relatado as negociações na noite de quarta-feira. Seguindo as regras da Irlanda sobre aquisições, a Allergan, com sede em Dublin, e a americana Pfizer confirmaram as conversas.

A Allergan acrescentou que permanece comprometida com a venda de sua unidade de medicamentos genéricos para a israelense Teva Pharmaceutical Industries por mais de US$ 40 bilhões.

A Allergan tinha um valor de mercado de US$ 113 bilhões após o fechamento das bolsas na quarta-feira, o que significa que um acordo para comprá-la poderia ser a maior aquisição em um ano que já caminha para se tornar o mais agitado até hoje na área de fusões e aquisições.

A cotação das ações da Allergan saltou quase 6% ontem, enquanto os papéis da Pfizer recuaram 1,92%. O valor de mercado da Pfizer até quarta-feira estava próximo de US$ 219 bilhões.

Uma aliança com a Allergan poderia ser uma forma para a Pfizer, que tem sede em Nova York, reduzir sua carga tributária, já que, na Irlanda, a Allergan paga uma alíquota de impostos significativamente mais baixa que a dos Estados Unidos.

Em uma entrevista concedida ontem ao WSJ, o diretor-presidente da Pfizer, Ian Read, disse que a empresa está em uma “desvantagem tremenda” ao operar sob o código fiscal para empresas dos EUA e que a farmacêutica compete contra rivais estrangeiras “com uma mão amarrada”.

Ele não quis comentar sobre o possível acordo.

Chris Schott, analista do J.P. Morgan, especulou numa nota de pesquisa que a Allergan poderia obter entre US$ 375 e US$ 400 por ação ao ser vendida, com base nos prêmios pagos em outros negócios de inversão fiscal — como são chamadas as fusões com firmas estrangeiras visando mudar a sede para outro país e reduzir impostos. Nessa faixa, a Allergan poderia ser avaliada em até US$ 157 bilhões.

Mas há grandes obstáculos a serem superados antes de se fechar um acordo. Um deles pode ser o preço. Read, que vem buscando uma aquisição há algum tempo, disse, durante uma teleconferência na terça-feira, que vem notando uma queda na cotação das ações de farmacêuticas rivais. Mas, acrescentou, “não tenho certeza se houve um reajuste no que os investidores e líderes dessas empresas acreditam que elas valem numa situação transacional”.

Entre outros potenciais problemas estão até que ponto a Pfizer estaria disposta a demitir funcionários e fechar instalações; o que aconteceria com o diretor-presidente da Allergan, Brent Saunders; e qual seria a estrutura geral da equipe de gestão da empresa combinada, disse uma fonte.

Caso um negócio seja fechado, ele criaria uma empresa cujo valor excederia US$ 300 bilhões com um uma equipe combinada de quase 100 mil pessoas. A fusão acrescentaria o tratamento antirrugas Botox, o medicamento para tratar síndrome crônica do olho seco Restasis e outras drogas populares da Allergan ao arsenal de medicamentos protegidos por patentes da Pfizer. A farmacêutica tem tentado reforçar seu portfólio de marcas patenteadas depois de completar, recentemente, a aquisição da Hospira Inc. por US$ 16 bilhões, um negócio que impulsionou sua carteira de drogas sem proteção de patentes.

A fusão poderia ainda abrir o caminho para um passo que os executivos da Pfizer há muito contemplam: dividir a companhia num negócio de venda de drogas protegidas por patentes e outro de remédios sem patente.

A Allergan também aceleraria o crescimento da Pfizer. Na terça-feira, a farmacêutica americana anunciou que sua receita no terceiro trimestre encolheu 2,2%, para US$ 12,09 bilhões. Excluindo fatores como o câmbio, a receita subiu 6%. A Allergan, que ainda não divulgou os resultados do trimestre mais recente, informou, na apresentação dos resultados do segundo trimestre, que estava crescendo a um ritmo de 10%. Sua receita líquida foi de US$ 5,8 bilhões no período e a receita total de produtos de marca ficou em US$ 3,7 bilhões.

No ano passado, a Pfizer tentou, sem sucesso, comprar a AstraZeneca PLC em um negócio que teria avaliado a farmacêutica britânica em cerca de US$ 120 bilhões. O plano era que o acordo fosse estruturado como uma inversão fiscal. A Pfizer abortou a tentativa de fusão em meio à forte resistência da AstraZeneca.

A Pfizer também fez uma oferta de compra à Actavis PLC, que era então administrada por Saunders, disse uma pessoa a par do assunto em setembro de 2014. Mas as conversas não vingaram.

A Pfizer, que perdeu mercado depois que venceu a patente de seu remédio campeão de vendas Lipitor, para o colesterol, tem registrado alta nas vendas graças a novas drogas como o remédio para câncer de mama Ibrance e o anticoagulante Eliquis, além da expansão do uso de sua vacina contra pneumonia, a Prevnar.

Caso se concretize uma fusão, ela superaria facilmente o acordo preliminar de US$ 104 bilhões da Anheuser-Busch InBev NV para comprar a cervejaria rival SABMiller PLC, atualmente considerado o maior negócio anunciado este ano.

A Allergan tem sido uma das empresas mais prolíficas da indústria farmacêutica em fazer aquisições, embora recentemente Saunders venha tentando enfatizar o trabalho dos laboratórios da empresa no desenvolvimento de medicamentos.

A Allergan teve uma ascensão pouco convencional, começando como uma empresa chamada Watson Pharmaceuticals Inc. Em 2012, a Watson adquiriu a rival suíça Actavis Group e adotou esse nome. Mais tarde, ela comprou a Warner Chilcott PLC e a Forest Laboratories Inc. em negócios multibilionários.

Saunders era diretor-presidente da Forest Labs e passou a liderar a Actavis após o acordo. Pouco depois, a Allergan foi alvo de uma oferta não solicitada da Valeant Pharmaceuticals International Inc.

A Actavis entrou em cena como uma salvadora e comprou a Allergan, adotando o nome da empresa. Em julho, a Allergan fechou acordo para vender sua unidade de genéricos para a israelense Teva.

Na entrevista de ontem, Read também chamou o modelo de negócio aquisitivo da Valeant de um “beco sem saída” para a pesquisa que pressionou as empresas a “serem mais eficientes”. “Não vejo isso como modelo de negócio sustentável”, disse ele.

A canadense Valeant é conhecida por seu alardeado modelo de negócios de crescer através de aquisições em vez de investir em pesquisa e desenvolvimento.


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Pfizer e Allergan negociam fusão que criaria farmacêutica de US$ 300 bilhões

As farmacêuticas Pfizer Inc. e Allergan PLC estão considerando unir seus negócios, no que seria um acordo colossal culminando um período de atividade frenética de fusões e aquisições no setor de saúde e outras indústrias.

As duas empresas, em declarações separadas com texto semelhante, informaram que estão mantendo “discussões preliminares de forma amigável” sobre uma potencial fusão. As companhias afirmaram que ainda não chegaram a um acordo e observaram que não há nenhuma certeza de que um negócio será consumado.

O The Wall Street Journal havia relatado as negociações na noite de quarta-feira. Seguindo as regras da Irlanda sobre aquisições, a Allergan, com sede em Dublin, e a americana Pfizer confirmaram as conversas.

A Allergan acrescentou que permanece comprometida com a venda de sua unidade de medicamentos genéricos para a israelense Teva Pharmaceutical Industries por mais de US$ 40 bilhões.

A Allergan tinha um valor de mercado de US$ 113 bilhões após o fechamento das bolsas na quarta-feira, o que significa que um acordo para comprá-la poderia ser a maior aquisição em um ano que já caminha para se tornar o mais agitado até hoje na área de fusões e aquisições.

A cotação das ações da Allergan saltou quase 6% ontem, enquanto os papéis da Pfizer recuaram 1,92%. O valor de mercado da Pfizer até quarta-feira estava próximo de US$ 219 bilhões.

Uma aliança com a Allergan poderia ser uma forma para a Pfizer, que tem sede em Nova York, reduzir sua carga tributária, já que, na Irlanda, a Allergan paga uma alíquota de impostos significativamente mais baixa que a dos Estados Unidos.

Em uma entrevista concedida ontem ao WSJ, o diretor-presidente da Pfizer, Ian Read, disse que a empresa está em uma “desvantagem tremenda” ao operar sob o código fiscal para empresas dos EUA e que a farmacêutica compete contra rivais estrangeiras “com uma mão amarrada”.

Ele não quis comentar sobre o possível acordo.

Chris Schott, analista do J.P. Morgan, especulou numa nota de pesquisa que a Allergan poderia obter entre US$ 375 e US$ 400 por ação ao ser vendida, com base nos prêmios pagos em outros negócios de inversão fiscal — como são chamadas as fusões com firmas estrangeiras visando mudar a sede para outro país e reduzir impostos. Nessa faixa, a Allergan poderia ser avaliada em até US$ 157 bilhões.

Mas há grandes obstáculos a serem superados antes de se fechar um acordo. Um deles pode ser o preço. Read, que vem buscando uma aquisição há algum tempo, disse, durante uma teleconferência na terça-feira, que vem notando uma queda na cotação das ações de farmacêuticas rivais. Mas, acrescentou, “não tenho certeza se houve um reajuste no que os investidores e líderes dessas empresas acreditam que elas valem numa situação transacional”.

Entre outros potenciais problemas estão até que ponto a Pfizer estaria disposta a demitir funcionários e fechar instalações; o que aconteceria com o diretor-presidente da Allergan, Brent Saunders; e qual seria a estrutura geral da equipe de gestão da empresa combinada, disse uma fonte.

Caso um negócio seja fechado, ele criaria uma empresa cujo valor excederia US$ 300 bilhões com um uma equipe combinada de quase 100 mil pessoas. A fusão acrescentaria o tratamento antirrugas Botox, o medicamento para tratar síndrome crônica do olho seco Restasis e outras drogas populares da Allergan ao arsenal de medicamentos protegidos por patentes da Pfizer. A farmacêutica tem tentado reforçar seu portfólio de marcas patenteadas depois de completar, recentemente, a aquisição da Hospira Inc. por US$ 16 bilhões, um negócio que impulsionou sua carteira de drogas sem proteção de patentes.

A fusão poderia ainda abrir o caminho para um passo que os executivos da Pfizer há muito contemplam: dividir a companhia num negócio de venda de drogas protegidas por patentes e outro de remédios sem patente.

A Allergan também aceleraria o crescimento da Pfizer. Na terça-feira, a farmacêutica americana anunciou que sua receita no terceiro trimestre encolheu 2,2%, para US$ 12,09 bilhões. Excluindo fatores como o câmbio, a receita subiu 6%. A Allergan, que ainda não divulgou os resultados do trimestre mais recente, informou, na apresentação dos resultados do segundo trimestre, que estava crescendo a um ritmo de 10%. Sua receita líquida foi de US$ 5,8 bilhões no período e a receita total de produtos de marca ficou em US$ 3,7 bilhões.

No ano passado, a Pfizer tentou, sem sucesso, comprar a AstraZeneca PLC em um negócio que teria avaliado a farmacêutica britânica em cerca de US$ 120 bilhões. O plano era que o acordo fosse estruturado como uma inversão fiscal. A Pfizer abortou a tentativa de fusão em meio à forte resistência da AstraZeneca.

A Pfizer também fez uma oferta de compra à Actavis PLC, que era então administrada por Saunders, disse uma pessoa a par do assunto em setembro de 2014. Mas as conversas não vingaram.

A Pfizer, que perdeu mercado depois que venceu a patente de seu remédio campeão de vendas Lipitor, para o colesterol, tem registrado alta nas vendas graças a novas drogas como o remédio para câncer de mama Ibrance e o anticoagulante Eliquis, além da expansão do uso de sua vacina contra pneumonia, a Prevnar.

Caso se concretize uma fusão, ela superaria facilmente o acordo preliminar de US$ 104 bilhões da Anheuser-Busch InBev NV para comprar a cervejaria rival SABMiller PLC, atualmente considerado o maior negócio anunciado este ano.

A Allergan tem sido uma das empresas mais prolíficas da indústria farmacêutica em fazer aquisições, embora recentemente Saunders venha tentando enfatizar o trabalho dos laboratórios da empresa no desenvolvimento de medicamentos.

A Allergan teve uma ascensão pouco convencional, começando como uma empresa chamada Watson Pharmaceuticals Inc. Em 2012, a Watson adquiriu a rival suíça Actavis Group e adotou esse nome. Mais tarde, ela comprou a Warner Chilcott PLC e a Forest Laboratories Inc. em negócios multibilionários.

Saunders era diretor-presidente da Forest Labs e passou a liderar a Actavis após o acordo. Pouco depois, a Allergan foi alvo de uma oferta não solicitada da Valeant Pharmaceuticals International Inc.

A Actavis entrou em cena como uma salvadora e comprou a Allergan, adotando o nome da empresa. Em julho, a Allergan fechou acordo para vender sua unidade de genéricos para a israelense Teva.

Na entrevista de ontem, Read também chamou o modelo de negócio aquisitivo da Valeant de um “beco sem saída” para a pesquisa que pressionou as empresas a “serem mais eficientes”. “Não vejo isso como modelo de negócio sustentável”, disse ele.

A canadense Valeant é conhecida por seu alardeado modelo de negócios de crescer através de aquisições em vez de investir em pesquisa e desenvolvimento.


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